sábado, 14 de junho de 2008

Centenário da Imigração Japonesa no Brasil

No dia 18 de junho, serão comemorados os 100 anos da imigração japonesa no Brasil. Aproveitando a data, o portal está publicando a primeira de uma série de reportagens sobre os povos que formam a nação brasileira. Como tudo começou
A história da imigração japonesa no país é cheia de obstáculos. Atraídos pelo sonho de uma vida melhor, esses imigrantes tiveram de aprender a conviver com uma cultura totalmente diferente da sua e superar várias dificuldades, sobretudo, o preconceito.
A vinda de imigrantes japoneses para o Brasil foi motivada por interesses dos dois países: o Brasil necessitava de mão-de-obra para trabalhar nas fazendas de café, principalmente em São Paulo e no norte do Paraná, e o Japão precisava aliviar a tensão social no país, causada por seu alto índice demográfico. Para conseguir isso, o governo japonês adotou uma política de emigração desde o princípio de sua modernização, iniciada na era Meiji (1868).
Apesar de não serem favoráveis à imigração, em 1906, os governos do Japão e do Estado de São Paulo levaram adiante esse processo.
Fonte: Museu Histórico da Imigração Japonesa


O vapor Kasato-Maru ancorado no porto de Santos.


Os imigrantes deixaram o porto de Kobe em 28 de abril de 1908. Eles vieram a bordo do navio Kasato-Maru — cujo capitão era o inglês A. G. Stevens. O navio atracou no porto de Santos no dia 18 de junho de 1908. Dessa data até 1921, o estado de São Paulo e os fazendeiros de café subsidiaram as passagens dos imigrantes, que deveriam cumprir um contrato de dois a três anos trabalhando nas lavouras de café.
A bordo do Kasato-Maru estava um povo que trazia, além da bagagem, uma cultura milenar. Baseadas nos relatos de japoneses que haviam sido enviados ao Brasil antes do início da imigração, essas pessoas esperavam enriquecer em pouco tempo e voltar para sua pátria, já que as oportunidades oferecidas nas lavouras de café pareciam promissoras. Mas os imigrantes que desembarcaram no Porto de Santos naquela manhã de 1908 descobriram outra realidade; eles foram enviados para trabalhar nos cafezais paulistas, muitas vezes sem condições adequadas de higiene. Aos poucos, essas pessoas perceberam que somente com união conseguiriam conquistar sua independência.Os japoneses então começaram a criar parcerias e cooperativas, a fim de defender seus interesses. Além disso, adquiriram pequenas terras, em que desenvolveram técnicas de produção agrícola.

Mais tarde...

A situação econômica do Japão piorou muito após o fim da Primeira Guerra Mundial, principalmente nas áreas rurais. Nos EUA, principal país procurado pelos imigrantes japoneses, o movimento contra a entrada dos orientais se intensificou e, em 1924, foi promulgada uma lei de imigração que proibia a entrada dos japoneses no país.


Fonte: Museu Histórico da Imigração Japonesa

Impossível melhorar de vida nas fazendas de café: para os japoneses, a saída era tornarem-se proprietários.


A partir de 1917, o governo japonês coordenou a fusão de diversas empresas particulares de emigração e fundou a estatal Kaigai Kôgyô Kabushiki Kaisha, que passou a subsidiar as passagens dos imigrantes. Por causa da impossibilidade de acesso dessas pessoas aos EUA, esses recursos passaram a ser destinados às viagens para o Brasil. Entre 1928 e 1935, ingressaram no país 108.258 japoneses, ou seja, 57% dos 190.000 que imigraram no período anterior à Segunda Guerra Mundial.
Mas também no Brasil começaram a surgir movimentos contrários à entrada de japoneses. Em 1922, foi criado um projeto de lei que proibia a entrada de negros no país e restringia a de orientais, mas essa lei não entrou em vigor. No entanto, em 1934, foi aprovada uma emenda constitucional que limitava a entrada de imigrantes estrangeiros para 2% do total de pessoas que ingressaram no país nos últimos 50 anos. Essa emenda foi incorporada à Constituição de 1934, ocasionando queda nos índices de imigração a partir de 1935.
Depois da Segunda Guerra Mundial, a imigração japonesa no Brasil esteve praticamente paralisada, atrapalhando a já difícil integração entre brasileiros e nipônicos. Vários decretos foram instituídos, proibindo o ensino da língua japonesa no país, e descendentes de japoneses foram obrigados a portar salvo-conduto para que pudessem transitar pelo país. Entre 1940 e 1950, apenas 1,5 mil japoneses imigraram para o território brasileiro.


Fonte: Museu Histórico da Imigração Japonesa

"Agora vamos, levando a família, para a América do Sul" - convoca o cartaz, de 1925, de uma companhia japonesa de imigração.


Na época, os mais radicais diziam que a imigração japonesa integrava um plano do governo do Japão de “subjugar o mundo” por meio de agentes infiltrados em diversos países. E alguns jornais lamentavam a “invasão amarela” e os “males irreparáveis causados pela imigração japonesa”.
O fim da Segunda Guerra marcou o início da reconciliação entre brasileiros e japoneses, e o perfil do imigrante japonês se modificou. Os nikkeis, como são chamados os primeiros imigrantes que vieram ao Brasil, deixaram de ser mão-de-obra barata e, por exigência de acordos bilaterais, passaram a ter acesso às escolas.
A partir da década de 60, famílias japonesas começaram a administrar seus próprios negócios. Os homens trabalhavam como feirantes, quitandeiros e tintureiros, e as mulheres, como costureiras e em salões-de-beleza.
Na década de 70, já não era tão estranha a convivência entre as culturas japonesa e brasileira, e o número de casamentos entre etnias diferentes aumentou no país. Nessa época, o Japão se recuperou da crise econômica e passou ocupar um papel de destaque no cenário mundial. Hoje, o Brasil abriga a maior população japonesa fora do Japão.


De volta à terra natal

As dificuldades financeiras inverteram o fluxo de migração entre Japão e Brasil. A “terra do Sol nascente" passou, no final do século XX, a ser um dos principais países a acolher brasileiros. E, mas mais uma vez, os imigrantes não encontraram o paraíso que estavam buscando.
Da mesma forma que o Japão enfrentou uma grave crise econômica entre os séculos XIX e XX, o Brasil passou por um período de recessão na década de 80, ao mesmo tempo em que profundas mudanças políticas estavam acontecendo. Nessa época, o Japão vivia o auge de sua economia.
Pioneiras no processo de terceirização, as pequenas empresas nipônicas recebiam encomendas de grandes organizações. Nelas, não havia perspectiva de carreira ou ascensão profissional, o que não interessava aos jovens japoneses que ingressavam no mercado de trabalho.
Por causa disso, essas empresas começaram a buscar mão-de-obra em países como Coréia do Sul, China e Filipinas. Os trabalhadores estrangeiros foram denominados dekasseguis, palavra japonesa que significa "trabalhar fora de casa".
No Brasil, surgiram empresas que estabeleciam o contato entre os candidatos e os empresários que necessitavam de mão-de-obra. Elas cuidavam tanto da documentação necessária como das condições de moradia e trabalho dos dekasseguis.
Em 1990, o “Plano Collor” reforçou ainda mais a emigração dos nikkeis — descendentes de japoneses que vivem fora do país — para o Japão.
Paralelamente, no Japão, foi criada a Reforma da Lei de Controle de Imigração, que impôs maior rigor no controle de entrada de imigrantes e, ao mesmo tempo, demonstrou que havia clara preferência em favor dos descendentes de japoneses. De certa forma, essa lei favoreceu os brasileiros, já que a maior colônia japonesa se encontra no Brasil, e a relação de consangüinidade e a proximidade cultural passaram a ser consideradas pelos contratantes orientais.
Custo SocialPara Leda Reiko Nakabayashi Shimabukuro, fundadora e coordenadora do Grupo Nikkei de Promoção Humana, que, entre outros trabalhos, desenvolve o projeto Tadaima — um espaço de reflexão e apoio a trabalhadores brasileiros que atuaram no Japão —, o custo social dos dekasseguis é muito alto. “Nosso grupo se dedica à recolocação profissional, principalmente da comunidade japonesa em São Paulo. Das pessoas que ajudamos, descobrimos que 30% são de ex-dekasseguis que não conseguem emprego no país”, conta Leda.
Ela afirma que, quando chegam ao Japão, os dekasseguis enfrentam inúmeras dificuldades. “Mesmo parecendo japoneses, os descendentes são tratados como estrangeiros no Japão. O primeiro impacto que eles sentem é a diferença de língua. Poucas pessoas que vão para lá dominam o japonês e, como não existem analfabetos por lá, isso gera preconceito”, explica.
Para a coordenadora, após passarem vários anos no Japão fazendo trabalhos braçais, os brasileiros que retornam não conseguem emprego no mercado nacional. “Mesmo juntando uma boa soma de dinheiro, na volta, eles não têm como manter o mesmo padrão salarial, até mesmo porque sua experiência é incompatível com os empregos que pagam bem no Brasil e eles estão acostumados com uma média salarial de U$ 2,5 mil, que ganhavam no Japão”, explica.
Leda conta que poucos são os brasileiros que têm êxito ao montar seu próprio negócio com o dinheiro acumulado no Japão. “Como eles não tem experiência em administração de empresas, acabam falindo”, afirma.
Para ela, outra dificuldade encontrada pelos imigrantes que retornam ao Brasil é a readaptação cultural. “A vida no Japão costuma ser dura, por isso, as pessoas idealizam o Brasil como sendo melhor do que realmente é. Muitas trabalham em empresas japonesas por mais de cinco anos e, quando voltam, encontram uma realidade bem diferente”, conta. Ela diz que a língua e o relacionamento com a família são grandes obstáculos para os ex-dekasseguis.

Fonte de pesquisa: http://www.aprendebrasil.com.br/reportagens/japao/default.asp

2 comentários:

Elizinha disse...

Olá Tia Rose! Bom dia!! Graças a Deus estou de férias e vou poder visitar mais seu blog! Beijos...Vou te enviar um e-mail pedindo uma juda rsrs.

betty mello disse...

Bela homenagens aos nossos queridos imigrantes ! Bjs, Betty

 
© Copyright 2010 -Reneide Criações. All rights reserved