quinta-feira, 10 de julho de 2008

Novo acordo ortográfico

*O que realmente muda?*

Segundo matéria do jornal Folha de São Paulo do último dia 29, uma comissão do MEC elaborou uma proposta para que a reforma ortográfica da língua portuguesa comece a ser implantada no Brasil a partir de 1º de janeiro de 2009.

As editoras de livros didáticos já se movimentam para a correção de seus livros, uma vez que o MEC as comunicou que as obras enviadas às escolas públicas já em 2010 deverão estar adequadas às mudanças, embora o presidente da comissão do MEC, Godofredo de Oliveira Neto, tenha depois afirmado que os materiais ligados à educação devem estar submetidos às novas regras apenas a partir de 31 de dezembro de 2011. Porém, de um modo geral, o prazo previsto para a transição entre a ortografia atual e a prevista pela reforma é de três anos.

O objetivo dessa reforma ortográfica é a unificação da escrita em Língua Portuguesa, como já acontece com a maioria dos outros idiomas, o que tem sido visto de forma bastante positiva. É importante a unidade da escrita de um dos cinco idiomas mais falados no mundo – são mais de 200 milhões de falantes –, pois, entre os benefícios, provavelmente haverá o fortalecimento da presença política dos países lusófonos na ONU e serão padronizadas as edições de textos teóricos e literários. Mas as diferenças de pronúncia e sintaxe continuarão existindo, seguindo e respeitando os traços culturais e históricos de cada país.

Esse acordo ortográfico foi firmado em 1991 e aprovado pelo Brasil em 2005. Poderíamos dizer que, em tese, ele já vigorava, pois bastava a assinatura de três países desse grupo para a sua aprovação, soma já alcançada pelas assinaturas do Brasil, de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe. Mas a implementação da reforma vinha sendo adiada pelo governo brasileiro, esperando ainda pela ratificação de Portugal, que só anunciou seu desejo de adesão no início do mês de março deste ano. Porém, a decisão ainda aguarda a aprovação do Legislativo.

Com a nova ortografia já em vias de se tornar concreta, é necessário que comecemos a nos atualizar e a compreender o que vem por aí, a fim de nos adaptarmos às mudanças. A boa notícia é que essas mudanças não são assustadoras para nós brasileiros, pois elas simplificam nossa escrita, já que vários acentos e hífens serão dispensados. Portanto, não há que se ter desespero nessa assimilação. Comece buscando memorizar as mudanças mais simples e arquive para consulta o que lhe parecer um pouco mais complexo. A seguir, um resumo das mudanças.•

ALFABETO: Terá 26 letras, com a inclusão do K, W e Y.

SINAIS GRÁFICOS:

Trema:

não será mais utilizado(exceto em nomes próprios e derivados, como Müller, mülleriano). Exemplos: bilíngue, tranquilo, consequência.

Hífen:

a) Será mantido: . nas palavras por justaposição, como: guarda-chuva, arco-íris, amor-perfeito; . nos seguintes casos de prefixação e sufixação (prefixo: partícula que vem antes de uma palavra/sufixo: partícula que entra ao final de uma palavra): quando o segundo elemento começar com h (anti-higiênico; co-herdeiro); quando o prefixo termina com a mesma vogal com que se inicia o segundo elemento (micro-onda; contra-almirante; anti-ibérico); nos casos do prefixos circum e pan, quando o segundo elemento começa com vogal, H, M, ou N (pan-americano; circum-navegação); nas formações com os prefixos hiper, inter e super, quando combinados com elementos iniciados em R (hiper-requintado; inter-resistente; super-revista); em expressões com os prefixos tônicos pré, pós e pró (pós-graduação, pré-escolar; pós-europeu). ATENÇÃO: neste último caso só há hífen quando o prefixo é acentuado; portanto, nada de hífen em: predeterminado, preestabelecer, poslúdio.

b) Será abolido nas demais situações, destacando-se:.

.quando a segunda palavra começar com S ou R (as consoantes deverão ser duplicadas, como: anti-social/antissocial);

.quando o prefixo terminar em vogal diferente daquela que inicia a segunda palavra (auto-elogio/autoelogio).

.Acento diferencial: não será mais usado para distinguir casos como pára (verbo parar) de para (preposição).

.Acento agudo: deixará de ser utilizado:

nos ditongos abertos EI e OI de paroxítonas (idéia, assembléia, cefaléia, jibóia / ideia, assembleia, cefaleia);

nas paroxítonas com I e U tônicos precedidos de ditongo (feiúra/feiura);

em formas verbais com acento tônico na raiz e U tônico precedido de G ou Q e seguido de E ou I (averigúe/averigue).

.Acento circunflexo: não será mais usado nas terceiras pessoas do plural no presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos Crer, Ver, Ler, Dar e derivados (crêem, vêem, lêem, dêem / creem, veem, leem, deem) e em palavras que têm hiato no final (enjôo/enjoo)•

GRAFIA:

- O C e o P deixarão de ser grafados nas palavras em que não são pronunciados (acção, óptimo) e o H, em palavras como húmido (ocorrências não significtivas para a escrita brasileira, mas bem relevantes para Portugal, por exemplo).

Atenção:

a) Serão mantidas, se pronunciadas, as letras C e P em: compacto, ficção, apto, erupção.

b) Serão mantidas ou excluídas, facultativamente, a depender da pronúnicia de tais letras no falar culto regional:

- letras C e P - caracteres/carateres; corrupto, corruto.

- Seqüência MP: amígdala/amídala; sutil, subtil. Nos casos optativos, recomenda-se usar a forma presente nos principais dicionários.

Autor: Esther Oliveira Alcântara

Fonte: http://www.via6.com/topico.php?tid=169022


Um comentário:

Cantinho Meu disse...

Olá :)

Aqui em Portugal acabou de ser aprovado o novo acordo ortográfico. :-S
A grande maioria dos portugueses não estão de acordo, e apesar das assinaturas que o povo apresentou contra o novo acordo, ele foi mesmo para a frente.....

Já agora aproveito para dizer que ADORO o seu blog, obrigada pelas ideias maravilhosas.

beijinhos

 
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