terça-feira, 12 de agosto de 2008

Folclore

O termo "Folclore" (folk=povo; lore=saber) foi proposto pela primeira vez pelo antropólogo inglês Willian John Thomas, em 22 de agosto de 1846, quando sugeriu, em artigo publicado numa revista inglesa, que fosse dado o nome de Folk-lore a tudo aquilo que abrangesse as "antiguidades populares", solicitando cooperação para o levantamento de dados sobre os "usos e costumes tradicionais" do povo. Decorreram vários anos para que a proposta formulada por Thomas fosse aceita e somente em 1878, ao ser fundada a Sociedade de Folclore em Londres, foi finalmente confirmada a designação Folk-lore.

O dia 22 de agosto passou a ser considerado o dia do folclore porque foi a data em que a palavra foi publicada pela primeira vez, na Inglaterra.

FATO FOLCLÓRICO

"Constitui o fato folclórico a maneira de pensar, sentir e agir de um povo, preservada pela tradição popular e pela imitação, e que não seja diretamente influenciada pelos círculos eruditos e instituições que se dedicam, ou à renovação e conservação do patrimônio científico humano, ou à fixação de uma orientação religiosa e filosófica." (Texto da Carta do Folclore Brasileiro, elaborado no I Congresso Brasileiro do Folclore Brasileiro, no Rio de Janeiro em 1951 - Biblioteca Educação e Cultura 0- MEC/FENAME - Vol. 4).

Em dezembro de 1995, em Salvador (BA), o VIII Congresso fez uma Releitura da Carta do Folclore Brasileiro, atualizando conceitos ditados, considerando: "o folclore é o conjunto de criações culturais de uma comunidade, baseado nas suas tradições expressas individual ou coletivamente, representativo de sua identidade social. Constituem-se fatores de identificação da manifestação folclórica: aceitação coletiva, tradicionalidade, dinamicidade, funcionalidade."

Diante dessa nova conceituação, várias características atribuídas anteriormente ao folclore são relativizadas ou abolidas, como:

1. O ANONIMATO: anteriormente o fato folclórico priorizava o anonimato, o que deixava de fora o artesanato e a poesia dos repentistas, cujos autores são identificados no ato da criação.



2. ACEITAÇÃO COLETIVA: Para alguns folcloristas, a criação de um autor passa a ser folclórica quando há aceitação coletiva, e também, agora é possível, considerar folclóricos os fatos originários da cultura de elite que tenham sido aceitos e reinterpretados pelo povo.



3. ORALIDADE: o folclore era antes percebido exclusivamente pela oralidade. Esse conceito muda, pois exclui o artesanato, as técnicas populares, a literatura de cordel e outras manifestações escritas.



4. ESPONTANEIDADE: o fato folclórico deve fluir da comunidade, sem ser institucionalizado, pois deve ser absorvido de forma inconsciente e progressiva.



5. FUNCIONALIDADE: os fatos folclóricos devem integrar sistemas culturais, e nunca constituir-se traços isolados. O fato folclórico deve ser entendido na configuração social, econômica ou política.



6. REGIONALIDADE: a manifestação folclórica deve ser localizada, própria de uma comunidade, de uma vila ou de um povoado. Algumas vezes, pode ser encontrado em locais isolados, mas a documentação e análise do fato, vai demonstrar que se trata de manifestações que tiveram origens comuns, mas que foram sendo recriadas ou reinterpretadas em cada lugar e se diferenciaram.

A CARTA NA ÍNTEGRA:
O VII Congresso de Folclore, reunido em Salvador, Bahia, de 12 a 16 de dezembro de 1995, procedeu à releitura da Carta do Folclore Brasileiro, aprovada no I Congresso Brasileiro de Folclore, realizado no Rio de Janeiro, de 22 a 31 de agosto de 1951. Esta releitura, ditada pelas transformações da sociedade brasileira e pelo progresso das Ciências Humanas e Sociais, teve a participação ampla de estudiosos de folclore, dos diversos pontos do país, e também teve presente as Recomendações da UNESCO sobre Salvaguarda do Folclore, expressas em documento aprovado em 15 de novembro de 1989. A importância do folclore como parte integrante do legado cultural e da cultura viva, é um meio de aproximação entre os ovos e grupos sociais e de afirmação de sua identidade cultural.

CAPÍTULO I - CONCEITO
1. Folclore é o conjunto das criações culturais de uma comunidade, baseado nas suas tradições expressas individual ou coletivamente, representativo de sua identidade social. Constituem-se fatores de identificação da manifestação folclórica: aceitação coletiva, tradicionalidade, dinamicidade, funcionalidade. Ressaltamos que entendemos folclore e cultura popular como equivalentes, em sintonia com o que preconiza a UNESCO*. A expressão cultural popular manter-se á no singular, embora, entendendo0se que existem tantas culturas quantos sejam os grupos que as produzem em contextos naturais e econômicos específicos.
2. Os estudos de folclore, com integrantes das Ciências Humanas e Sociais, devem ser realizados de acordo com metodologias próprias dessas Ciências. 3. Sendo parte integrante da cultura nacional, as manifestações do folclore são equiparadas às demais formas de expressão cultural, bem como seus estudos aos demais ramos das Humanidades. Consequentemente, deve ter o mesmo acesso, de pleno direito, aos incentivos públicos e privados concedidos à cultura em geral e às atividades científicas. * Recomendação da UNESCO sobre salvaguarda do Folclore por ocasião da 25a Reunião da Conferência Geral da UNESCO, realizada em Paris em 1989 e publicada no Boletim n. 13, da Comissão Nacional de Folclore, janeiro/abril de 1993.
CAPÍTULO II - PESQUISA
1. A pesquisa em folclore pede, na atualidade, um reaparelhamento metodológico dos pesquisadores, combinando os procedimentos de investigação e de análise provenientes das diversas áreas das Ciências Humanas e Sociais.
2. A pesquisa folclórica produtiva será aquela que constituir avanço teórico na compreensão do tema e em resultados práticos que beneficiem os agrupamentos estudados, objetivando também a auto-valorização do portador e do seu grupo quanto à relevância de cada expressão, a ser preservada e transmitida às novas gerações.
3. Recomenda-se o desenvolvimento de programas de pesquisas integradas, regionais e nacionais, sobre temas específicos, com metodologias comuns, com o objetivo de propiciar estudos comparativos
4. Recomenda-se, como metodologia de pesquisa, atuação participativa, integrando pesquisador e pesquisado em todas as etapas de apreensão, compreensão e devolução dos resultados da pesquisa à comunidade.
5. Recomenda-se a organização de núcleos de pesquisas científicas e multidisciplinares.

CAPÍTULO III - ENSINO E EDUCAÇÃO
Recomenda-se:
1. Desenvolver ação conjunta entre os Ministérios da Cultura e da Educação a fim de que o conteúdo do folclore e da cultura popular seja incluído nos níveis de 1a e 2a graus e incluindo enfoque teórico e prático através do ensino regular, de oficinas, de observações e de iniciação às pesquisas bibliográficas e de campo.
2. Considerar a cultura trazida do meio familiar e comunitário pelo aluno no planejamento curricular, com vistas a aproximar o aprendizado formal e não formal, em razão da importância de seus valores na formação do indivíduo.
3. Envolver os educadores de diferentes matérias em torno do folclore, considerando-o um amplo campo de ação para os estudos e a prática da multidisciplinaridade.
4. Buscar assessoramento para a ação pedagógica relacionada ao folclore junto a instituições de estudo e pesquisa e/ou especialistas.
5. Manter, ampliar e melhorar a oferta de cursos de Folclore com vistas ao aperfeiçoamento dos especialistas em exercício na área do Folclore e a reciclagem de professores, a fim de que possam recorrer à produção científica mais recente, que veicule uma visão contemporânea do folclore/cultura popular.
6. Intensificar a promoção de cursos de Folclore aplicando à Escola que envolvam, além da temática geral, o aprendizado de técnicas de construção artesanal e arte popular, a prática de grupos vocacionais e instrumentais, com repertório de música folclórica, direcionado a professores de 1a e 2a graus, propiciando-lhes condições que deles participem.
7. Incluir o ensino de Folclore nos cursos de 2a grau (Habilitação/ Magistério), nos cursos de Comunicação, de Artes, de Educação Física, de História, de Geografia, de turismo, nos Conservatórios e academias de Artes em geral, Faculdades de Ciências Humanas e Sociais, de Pedagogia, de Serviço Social.
8. Designar para lecionar a disciplina Folclore os professores com especialização na área ou em outras disciplinas afins com reconhecida experiência.
9. Fomentar a criação de cursos de Graduação e/ou Pós-Graduação que formem especialistas direcionados à pesquisa da cultura popular.
10. Incorporar o tema folclore aos programas do PET (Programa Especial de Treinamento) e outros programas, tais como Monitoria i Iniciação Científica, a estudantes participantes de pesquisa de folclore.
11. Enfatizar a importância da participação de portadores de folclore nas atividades de ensino/aprendizagem em todos os níveis.
12. Orientar a rede escolar para que as datas relativas ao Folclore e Cultura sejam comemoradas como um conjunto de temáticas que devem constar dos conteúdos das várias disciplinas, pois configuram expressões em diferentes linguagens - a da palavra, a da música, a do corpo - bem como técnicas, cuja prática implica acumulação e transmissão de saberes e conhecimentos hoje sistematizados pelas Ciências. Instruir os professores para que motivem seus alunos, em tais datas, a estudar manifestações do seu próprio universo cultural.
13. Estreitar o contato das Comissões Estaduais de Folclore com diferentes instituições de 1a, 2a e 3a graus, para estabelecer e/ou atualizar programas regulares de cursos sobre pesquisa e ensino de Folclore.
14. Promover a articulação entre pesquisadores e professores no sentido da participação na coleta e organização de coletâneas que reflitam as diversidades culturais regionais, com vistas à sua divulgação, valorização e aproveitamento didático da acervo folclórico.
15. Realizar o levantamento mais completo possível do cancioneiro folclórico, das danças e dos brinquedos e brincadeiras infantis, considerando-se fatores de educação, de desenvolvimento do gosto pela música/dança e de sociabilidade, valorizando-se o material tradicional com vistas ao seu aproveitamento no processo educativo. As canções devem ser transmitidas e pauta musical com o respectivo texto e as demais indicações necessárias: tessitura conveniente para voz infantil, detalhes da prosódia musical, eventual movimentação.
16 Incentivar a produção de textos e outros recursos em linguagem acessível ao leigo, bem como a produção de textos para deficiente visual e/ou aditivo, recorrendo-se para a sua divulgação a veículos diversos: publicações acadêmicas, revistas de educação, programas de rádio e televisão, programas produzidos pelas televisões educativas e publicações paradidáticas.
17. Realizar seminários, congressos etc. para apresentação e discussão de relatos de experiências pedagógicas e resultados de pesquisas. 18. Reconhecer a diversidade lingüística do Brasil e respeitar, sem discriminação, os falantes procedentes das várias regiões as camadas socioculturais.
CAPÍTULO IV - DOCUMENTAÇÃO
1. Reconhecer a importância da documentação folclórica em todos os seus aspectos, utilizando-se dos meios tecnológicos específicos.
2. Recomenda-se o levantamento do calendário folclórico em âmbito estadual, mediante com os grupos e órgãos locais. 3. Recomenda-se que a documentação deve ficar sob s guarda de instituições apropriadas, ligadas ao estudo e à pesquisa do folclore, como museus, fundações, universidades e outros centros de comunicação de documentação.

CAPÍTULO V - SALVAGUARDA E PROMOÇÃO
1. Reconhece-se a importância do apoio às manifestações folclóricas. Esse apoio deve-se dar, sobretudo, no sentido de assegurar as condições sociais e expressões aos homens para garantir o florescimento de suas expressões culturais dinâmicas.
2. Recomenda-se que as Comissões estaduais se articulem com os órgãos locais para realização de salvaguarda dos portadores e de grupos folclóricos de qualquer natureza.
3. Reconhece-se a necessidade de fortalecimento dos organismos oficiais, de caráter nacional. Estadual e municipal que se destinam à defesa do patrimônio folclórico do Brasil.
CAPÍTULO VI - DIREITO DO AUTOR 1
. Recomenda-se adotar providências adequadas à defesa do patrimônio musical folclórico, particularmente no caso das melodias de domínio público, dos folhetos de cordel, impedindo a apropriação dos mesmos por terceiros, realizando-se o procedimento registro em órgãos componentes.
2. Instrumentalizar as Comissões estaduais para iniciarem o registro do patrimônio musical de suas regiões.
3. Recomenda-se a indicação da procedência dos temas folclóricos nas composições que contenham esses temas em qualquer de seus aspectos,
4. Zelar pelo direito dos artesãos e artistas populares de livremente estipularem o valor de suas obras e do mesmo modo zelar e respeitar o direito de imagem que lhes deve ser conferido.

CAPÍTULO VII -EVENTOS
Recomenda-se:
1. Divulgar o calendário nacional de atividades culturais, em particular de eventos ligados à estrutura global das comunidades - considerando aspectos da economia, da ordem política e cultural - informando, além no registro cronológico das festas tradicionais, outros dados referentes à historicidade e estrutura da manifestação, detalhes dos participantes, importância para o contexto etc.
2. Prestigiar e divulgar as manifestações artísticas representativas das diferentes comunidades.
3. Respeitar os interesses dos representantes da cultura popular nas decisões relacionadas à dinâmica de suas manifestações, sem atitudes paternalistas nem imposição de modelos alheios ao próprio folclore. 4
. Promover Semanas de Folclore.
CAPÍTULO VIII - TURISMO
Reconhece-se que a relação folclore e turismo é uma realidade. O turismo poder atuar como divulgador do folclore e como fonte de recursos para o crescimento da economia local, o que pode significar melhoria da qualidade de vida das camadas populares. Esta relação, porém, precisa ser avaliada no sentido de resguardar os agentes da cultura popular das pressões econômicas e políticas.

CAPÍTULO IX - GRUPOS PARAFOLCLÓRICOS
1. São assim chamados os grupos que apresentam folguedos e danças folclóricas, cujos integrantes, em sua maioria, não são portadores das tradições representadas, se organizam formalmente, e aprendem as danças e os folguedos através do estudo regular, em alguns casos, exclusivamente bibliográfico e de modo não espontâneo.
2. Recomenda-se que tais grupos não concorram em nenhuma circunstância com os grupos populares e que, em suas apresentações, seja esclarecido aos espectadores que seus espetáculos constituem recriações e aproveitamento das manifestações folclóricas.
3. Os grupos parafolclóricos constituem uma alternativa para a fábrica de ensino e para a divulgação das tradições folclóricas, tanto para fins educativos atendimento a eventos turísticos e culturais.
CAPÍTULO X - COMUNICAÇÃO
Reconhece-se que não se pode mais desconsiderar o papel desempenhado pela comunicação de massa na descontextualizante, quanto pela influência ideológica de valores lhe são próprios. Recomenda-se o estudo das inter-relações do folclore com os fatos da cultura de massa e, em especial, com as interferências, aproveitamos e reelaborações recíprocas.

CAPÍTULO XI -PUBLICAÇÕES
1. Reconhece-se a necessidade da edição de obras sobre o folclore brasileiro e traduções de obras científicas em que se encontrem estudos e/ou pesquisas relevantes, além da reedição de livros fundamentais.
2. Reconhece-se a necessidade da divulgação dos estudos sobre as manifestações folclóricas através de todos os meios e recursos disponíveis.
CAPÍTULO XII - INTERCÂMBIO
Considera-se de grande importância o intercâmbio entre estudiosos, pesquisadores e instituições afins, objetivando a mais ampla troca de informações, em âmbito nacional e internacional. Para tanto, recomenda-se a realização periódica de encontros, seminários, simpósios e congressos, nacionais e internacionais.

CAPÍTULO XIII - SUBCOMISSÕES
Recomenda-se às Comissões Estaduais estimular a criação de comissões municipais de folclore que poderão, se assim o quiserem, se vincular à Comissão Estadual.
CAPÍTULO XIV - HIERARQUIAS
Recomenda-se atuar às autoridades religiosas, políticas, policiais e educacionais no sentido do reconhecimento, prestígio e respeito às várias formas populares de expressão cultural.

CAPÍTULO XV- RECURSOS FINANCEIROS
Reconhece-se a necessidade de recursos financeiros par a realização de pesquisas e ações de divulgação e apoio ao campo do folclore. Para isso, sugere-se a sua captação junto às instituições oficiais de financiamento, bem como o desenvolvimento de mecanismos de parceria com a iniciativa privada.
INSTITUTO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E CULTURA - IBECC COMISSÃO NACIONAL DE FOLCLORE Salvador, Bahia, 16 de dezembro de 1995.
Coloquei nesses sharedes alguns trabalhinhos ok?
Espero que seja útil pra vocês.

3 comentários:

Ateliê Erva Doce disse...

lindo seu blog, parabéns!!

Cláudia Nunes disse...

Oieee Tia Rose..passei para desejar uma ótima semana...Beijão.Cláudia

Maryana disse...

Oi Tia Rose, O Maryana's Blog está em festa comemorando 30.000 visitas, por isso estamos oferecendo um presentinho aos amigos, passe lá pra pegar. Bjos.

 
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